CORINTHIANS E VASCO DECIDIRAM A COPA DO BRASIL, E PARA ALEGRIA DOS PAULISTANOS A VITÓRIA VEIO TRAZENDO NA BAGAGEM A PARTICIPAÇÃO NA LIBERTADORES EM 2026 — COPA DO BRASIL OS DESAFINADOS TAMBÉM TÊM UM CORAÇÃO!
Texto: Yury Ferrero Imagens: Marco de Moraes
A competição mais democrática do futebol brasileiro, recebeu para o segundo jogo dois clubes que atravessam fase financeira e administrativa frágeis, e num contexto de aumento de receitas por boas gestões, casos de Flamengo e Palmeiras, e SAFs bilionárias, casos de Botafogo, Cruzeiro e Bahia, os finalistas resgataram a imprevisibilidade possível das Copas numa final emocionante.
Eis a bela poesia que a Copa nos apresenta: se a vida política desafina da grandeza rítmica desses dois clubes, os corações apaixonados dos alvinegros, cariocas e paulistas, mostram o caminho nas arquibancadas. Dinheiro é importante, mas não ganha jogo, não levanta taças, não faz campeões.

A ida, na Neo Química Arena:
Após avançarem à final por cobrança de pênaltis, os dois times pareceram não querer colocar para teste o coração de seus torcedores novamente. Num primeiro tempo movimentado, Vasco e Corinthians fizeram bom duelo e só foram ao intervalo com a manutenção do 0 aos dois lados por causa da arbitragem.
Aos 12 minutos, após roubada de bola de Memphis, Breno Bidon teve a chance de abrir o placar, mas acabou desperdiçando a oportunidade. Era a primeira, logo cedo, chance de um jogo que seria movimentado.
A resposta vascaína veio aos 18, com Rayan, quando saiu cara a cara com Hugo e guardou a bola no fundo das redes. Seria o 1 a 0 se o VAR não tivesse confirmado um impedimento no lance.
Apenas 7 minutos depois, através do holandês goleador, o Corinthians chegou ao seu gol também. Depay conferiu uma bola após desvio de Yuri Alberto, balançando as redes. Alegria que durou pouco ao bando de loucos porque a arbitragem anulou o lance por impedimento.
Na volta ao gramado para início da segunda etapa, os times não mantiveram o nível apresentado. Foi o time do Vasco que esteve mais próximo de marcar um gol, aos 21 minutos, quando Barros acertou cabeceio na trave em cobrança de escanteio.
O Corinthians só veio a levar perigo aos 35 minutos, com uma grande defesa de Léo Jardim, após chute em condição de impedimento de Yuri Alberto, um dos principais autores dessa final. De destaque maior, ficou a discussão entre o próprio atacante e Matheuzinho. Além disso, o nervosismo que tomou também a arquibancada e o técnico Dorival, que chegou a discutir na saída de campo com um torcedor alvinegro.
A volta, no Maracanã:
Os cariocas, que tiveram como sua última conquista nacional a mesma Copa do Brasil em 2011, fez uma apresentação pouco nervosa no início do primeiro tempo. Pouco ocupou o campo de ataque, pressionou eventualmente a linha de defesa e buscou agir em roubadas de bola no meio de campo com descidas em velocidade.
Já os paulistas, optaram por jogar controlando mais a bola, rodando o campo e buscando espaços. Contudo, foram de bolas longas procurando Yuri Alberto que saíram as melhores chances do Corinthians. Inclusive, aos 18 minutos, o atacante do Timão abriu o placar após bom lançamento de Matheuzinho, tocando na saída de Léo Jardim para inaugurar o placa: 1 a 0 para o Corinthians.
Alguns minutos depois, aos 25, o próprio artilheiro alvinegro desperdiçou outra chance, no 1×1, chutando pra fora. Até esse momento, o time paulista dominava todas as ações ofensivas. Mas foi a partir daí que o jogo trocou de domínio.
Aos 30 minutos, numa cobrança de escanteio, Thiago Mendes fez cabeceio, sem grande perigo, mas que já encontrou a direção da meta corinthiana. Num espaço de 10 minutos, o Vascão pressionou gerando boas chances, até que aos 40 minutos, após cruzamento de Andrés Gómez, Nuno Moreira subiu sozinho, na segunda trave, para cabecear cruzado e igualar o resultado: Vasco 1×1 Corinthians.
Final do primeiro tempo. Em termos de chances, o Vasco pressionou melhor e levou mais risco à meta adversária. Mas foi o Corinthians quem pareceu ser dono do jogo. No retorno do intervalo, um recomeço truncado, nervoso e com reclamações dos dois lados. Tudo normal para uma final de Copa do Brasil.
A segunda etapa não mostrou muito mais do que vontade e oportunismo, a exceção do belo drible de Breno Bidon que, num contra-ataque mortal, iniciou a jogada que resultaria, de uma assistência de Yuri Alberto, num gol de Memphis Depay, reassumindo a vantagem no placar aos 17 minutos do segundo tempo.
Depois do segundo gol, o time comandado por Dorival Junior soube lidar com os ânimos e fazer um jogo seguro para si, entre atendimentos médicos e bate-boca entre atletas. Apesar das mudanças promovidas pelo técnico Fernando Diniz e as tentativas vascaínas dentro de campo, pouco perigo se levou ao gol defendido por Hugo.
Foi só aos 47 minutos, já dentro da prorrogação, que Rayan, depois de falta sofrida na entrada da área, bateu forte na bola obrigando grande defesa do arqueiro corinthiano. Terminou assim a história contada pela Copa do Brasil 2025: Corinthians, que não vencia a Copa do Brasil desde 2009, 2, Vasco da Gama, 1.
Parte da torcida cruzmaltina presente no Maracanã aplaudiu o time ao apito final. Num ano de altos e baixos e em meio a um processo de reestruturação, o Vasco chegou a uma final e jogou bem os dois jogos. Méritos ao Corinthians por ter aproveitado melhor suas chances e confirmar, com o título, presença na próxima edição da Libertadores da América.
Ano que vem teremos tudo novamente e com muita emoção com certeza.

























